sábado, 13 de dezembro de 2008

"Vida Severina e Fé"

Assisti ao documentário "Vida Severina", um dos ganhadores do Entretodos do ano passado, que mostra um casal que teve um bebê anencéfalo e lutou pelo direito de interromper a gravidez.
No fim do filme tem uma cena do marido e esposa assistindo ao documentário já pronto, e o homem simples diz que é impossível uma pessoa que tenha algo humano assistir aquilo e não sentir nada.
Quando o curta acabou senti mais fé nas pessoas, em mim e no cinema que tem o poder de fazer florescer em nós o que temos de melhor, basta que a gente se deixe levar...

ana maria saad

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

ENTRETODOS - DIREITOS HUMANOS

O V.I.D.A. foi selecionado para o Festival Entretodos, de Direitos Humanos, assim aproveitei para ir ao Sesc Vila Mariana com frequência asistir aos filmes. Só não vi quatro dos selecionados, compensei a lacuna assistindo os ganhadores do ano passado em Dvd.
Minha conclusão: sinto-me lisonjeada de ter o primeiro filme feito pela gente em um festival com curtas belíssimos e bem feitos, que sensibilizam, que trazem refelxões, que preparam a alma para trasnformações.
Meu sonho seria ver esses curtas sendo exibidos na TV, em canal aberto, direto para o povo; em escolas como base para debates, educando, formando seres-humanos tão humanos que o que há de melhor no íntimo de cada um pudesse encontrar a brecha necessária para florescer.
Enquanto isso não vem, parabenizo os organizadores do festival, já que este é o primeiro passo para, um dia quem sabe, meu sonho virar realidade.
parabéns!!!!!

ana maria saad

sábado, 6 de dezembro de 2008

Amor de V.I.D.A.



Tudo perfeito ontem!

A sala linda da Cinemateca, os amigos, a expectativa de ver o filme finalizado na telona. Reencontrar e comemorar com a equipe.

Mas havia um parêntese na perfeição.

Ninguém da minha família estava me acompanhando neste momento tão importante e significativo para mim.

Vindo no ônibus, eu estava todo arrumado por fora, mas triste por dentro. Queria muito a presença da minha família, mesmo fragmentada, por perto. Mas mal conseguir falar com a minha mãe ontem. Sai de casa decepcionado, nem deixei o endereço de onde seria exibido o filme. Achei que não havia interesse. Falta de consideração.

Cheguei à Cinemateca e já havia amigos por lá. Bem cedo. Esperando. Abraços, cumprimentos, carinho, tudo muito de verdade.

Mas o parêntese estava aberto. Eu nunca quis tanto eles por perto.

Deus sabe sobre o quanto eu não me conformo quando as coisas que eu acredito não acontecem.

Mas lá longe, chegando toda cansada tadinha, estava a minha irmã. Que acorda todo os dias as 5:00 da manhã para trabalhar e já andando a mais de meia hora sem ao menos o endereço do lugar. Ela me disse: “Eu precisava vir!” - E me abraçou. Era tudo o que faltava pra minha noite ser completa.

Cheguei em casa, minha mãe perguntou como havia sido tudo. Pra não ser grosso, passei reto. Mal a cumprimentei. Pensei: “Se quisesse saber, teria ido!”.

Agora pouco, enquanto eu escrevia, trancado no meu quarto, ela bateu na porta pedindo pra entrar. Sentou ao meu lado sem saber nada sobre o quanto eu estava chateado com ela. Simplesmente pegou minha mão e colocou um dinheiro nela dizendo:

“Eu estava torcendo por você ontem. Sei o quanto você precisa, por isso fiz uma faxina ontem para poder te ajudar um pouco com as suas despesas de ônibus e alimentação nestes dias que você esta precisando. Desculpa não ter conseguido ir.”

Fiquei sem palavras.


Obrigado mãe! Eu te amo muito!

Desculpe a minha ingenuidade.

Não dá pra transformar a dureza da realidade num conto de fadas. Mas dá pra amadurecer e aprender como tudo fica muito mais lindo quando a gente consegue enxergar a delicadeza do amor que existe na vida real.

F.E.L.I.C.I.D.A.D.E.



Durante onze anos eu trabalhei numa videolocadora.

Adorava viver naqueles corredores de prateleiras. Entre pôsteres, banners, VHS e DVD; Indicar filmes; Fazer “trailers amadores” para que os clientes se interessassem em assistir tal filme; Organizar o que significava estar próximo do que eu mais amo: O cinema.

Certo dia, antes de uma exibição, vendo o diretor apresentar a sua equipe e comentar sobre as motivações de seu filme, um amigo meu, o Ney, que estava sentado ao meu lado me abordou dizendo:

“Já pensou, um dia você lá na frente, falando sobre um filme seu pra uma sala lotada de gente?” – Continuou: “Geison na telona!”. – E riu.

Fiquei em silêncio. Nem dei bola. Aliás, hoje eu sei que dei muita atenção para o que ele estava dizendo em tom de brincadeira. Pois, naquele instante, era exatamente sobre o que eu estava pensando.

Este era meu sonho silencioso, FAZER CINEMA, meu maior desejo! Que quando dito, se transformava numa piada para quem ouvia. Até eu, as vezes, me divertia com a criatividade das brincadeiras feitas sobre isto. Mas nunca foi algo pesado, nem pejorativo.

Quantas águas passam por baixo de uma ponte? Quão forte se estrutura o caminho quando colocamos foco nele?

Apenas eu sabia a importância de acreditar nisto.

O limbo da minha infância se transformou em sonho;

O sonho se desdobrou em redenção;

A tela grande tornou-se uma forma de expressão;

A jornada para o ator me apresentou um método;

Este método me fez encontrar a pessoa perdida que eu era;

Aquele lugar me aproximou de duas almas que eu amo;

Juntos, vencemos alguns dos nossos próprios obstáculos e escrevemos sobre a vida;

O processo nos trouxe almas que queriam depor;

Nossos depoimentos se transformaram no V.I.D.A;

O V.I.D.A. salvou vidas;

O V.I.D.A. realizou meu sonho;

As lágrimas são as mesmas, mas hoje por motivo diferente. O que a tristeza fez vazio, agora está cheio de felicidade.

A vida é formada de ciclos completos. Que só se fecham quando um novo está se abrindo adiante.

E ontem eu estava lá, para uma sala de cinema lotada, repleta de amigos, falando sobre um filme meu. “Geison na telona!”

Agora que venha o SOLO. Que seja fértil. Que ele abra caminhos.

sábado, 8 de novembro de 2008

Sobre os Atores - Parte I

Sou ator. Fiz vários cursos, workshops e palestras, mas o meu maior aprendizado sobre atuação foi dirigindo o V.I.D.A.

Aprendi demais observando os atores do filme, tanto no processo dos ensaios, quanto nas filmagens.

Dizem que o teatro é uma arte do ator, a televisão do roteirista, e o cinema, do diretor. Sendo assim, era responsabilidade minha e do Vinicius pensar, antes de chegar ao set, como traríamos os atores para esta situação tão especifica que era a questão da depressão abordada no filme.

Eu nunca tive depressão, por isso comecei a ler para entender do que estávamos falando. Também participei de grupos de depressivos on-line.

Uma decisão era não tratar da questão patológica da depressão, mas sim, sobre o cotidiano de um ser humano, qualquer ser humano, lidando com esta doença. Entre tudo o que li cheguei à conclusão que a depressão tem muito a ver com a tristeza. Geralmente a tristeza se inicia a partir de um fato que não sabemos lidar (morte de alguém querido, desilusão amorosa, perda de um emprego). Levamos um tempo para similar à questão, enquanto somos tomados por este sentimento. Depois de um tempo, aprendemos a lidar com o fato ocorrido e a tristeza se vai. Já a depressão é quando, mesmo enxergando o motivo da tristeza, não conseguimos nos desvincular dela e a partir disso vários outros sentimentos e sensações vêem a tona nos aprisionando a nós mesmos. Sim, a depressão é algo que começa e termina em nós.

Todo ser humano já passou por momentos difíceis na vida. Por isso, fizemos uma semana de encontros com os atores, criando a atmosfera da reunião que acontece durante o filme. Com o passar dos dias, todos estavam à vontade, e neste ambiente propício o Vinicius e eu íamos lendo depoimentos de pessoas depressivas e trazendo os atores para a situação do filme. Os próprios atores foram transformando os depoimentos em algo inerente a todo ser humano até chegarem à verdade que o roteiro sugeria.

Foi essencial dar esta liberdade, pois cada ator tem seu processo individual e sua forma de chegar na sua verdade.

Crítica Cine Players

Gostaria de dar os parabéns à equipe, dizendo que o filme ficou muito bom. Tem bastante intensidade, ritmo correto e direção bem legal.
Abraços,
Alexandre Koball (Cine Players)
 
Designer By Geison Ferreira